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domingo, 15 de fevereiro de 2009

MÃE PRETA


Passou a sua infância, meninice e juventude na sua terra onde o sol raiava às 6,00 horas da manhã e se punha no horizonte qual bola gigantesca pincelando o ceú de tons que iam do laranja, vermelho, roxo.

As distâncias não existiam, os preconceitos não havia e a tristeza não tinha lugar. O futuro era algo que se podia programar mas não valia a pena pois a Mãe Natureza era soberana e nada faltava. Os dias corriam felizes, entre o calor que permitia aos corpos quase desnudarem-se e a chuva torrencial que deixava um cheiro tão gostoso a terra molhada.

Um dia porém tudo isto foi-lhe negado e teve que deixar a sua terra: África! Para onde podia partir encontrou gente que a olhava com olhar critico, quando queria estabelecer elos de ligação a desprezavam, quando tudo fazia para recomeçar a sua vida numa terra estranha não encontrava o apoio, o carinho, a amizade, que na sua terra era distribuído gratuitamente.

Valeu-lhe sómente as belas recordações que trazia no seu coração, que a consolavam nos dias mais difíceis e que a aqueciam em invernos tão frios como nunca tinha imaginado sentir!

Recomeçou com toda a sua garra, passando a viver num bairro problemático de Lisboa, onde não existia a palavra solidariedade, alegria, esperança. Mas ela que tudo isto trazia no coração,deixava no ar um toque de magia ao passar.

As crianças, principalmente as crianças, foram as primeiras a notar. E aos poucos falavam, riam, choravam, contavam os seus segredos com aquela senhora frágil de aspecto, com um tom de pele diferente do seu, mas sempre pronta a ouvi-los, a dar um conselho, a ajudar.

Começou a ser conhecida pela Mãe Preta! E o seu minúculo t2 a albergar a criançada do bairro, que aí encontrava ensinamentos, ordem, respeito pelo próximo, alegria e projectos para futuro!Para aí corriam logo que podiam, e aí dialogavam, brincavam, comiam, ajudavam-se mutúamente e se pediam para lá dormir, havia sempre lugar para mais um, mesmo que já estivesse ocupado por 7, 8 ou mais miúdos.

Encontravam na Mãe Preta o que lhe faltava nos seus lares! E assim, naturalmente ela incutia-lhes a doçura, a faternidade, os sonhos, a alegria que só alguém, com um coração grande e que nasceu e viveu em África sabe!!!

Ficção? Felizmente não! Chama-se LIZETE BAESSA, e vive num bairro problemático de Chelas em Lisboa! Mas se perguntarem pela MÃE PRETA, encontrar-la-ão sorrindo com o seu ar meigo e discreto, rodeada dos "seus meninos"!!!

4 comentários:

Pitanga Doce disse...

Em todos os lados existem pessoas assim. Felizmente!


beijos e há correio, BACOUCA


PS: Não contes a ninguém o meu fiasco! hehe

bacouca disse...

Pitanga,
Não conto não mas fico muito agradecida. É uma autêntica excitação para menina que quer fazer melhor. Muito obrigado pela atenção e carinho!!! E pela paciência. Tudo bem esclarecido, mas terei que estudar a licção nunca de descontração, hehehe!!!
O teu 1º ensaio, do qual chorei a rir, aconteceu o mesmo comigo:filho sabe mais que mãe e tudo é fácil e rápido para eles com estas técnicas!!!
Um grande beijo

Pitanga Doce disse...

Sim , é fácil e eles ainda dão instrução pelo telefone. hehehehe

Luz disse...

Bacouca querida!
Que texto lindo! E que pessoa maravilhosa a Mãe Preta!
Fiquei daqui querendo conhecê-la.
Coisa boa esses exmplos de vida.
Beijos
Lucia