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domingo, 15 de maio de 2011

UMA BOA SEMANA

"Só uma profunda vida interior e uma visão adequada do mundo podem sustentar a esperança para além de qualquer crise. E neste mundo há crises e não podem deixar de existir dada a nossa vulnerabilidade e as dificuldades, mais ou menos grandes próprias da vida.

É um engano pensar num mundo sem luta. Ao deitar fora a oração, ao desistir do esforço, ao nivelar por baixo e sem exigência, ficamos prisioneiros das dificuldades e sem saída."


P.Vasco Pinto de Magallhães, s.j.

sábado, 14 de maio de 2011

COMO SOU FRÁGIL!!!

Como frágil eu sou! Julgava que as forças, até à pouco tempo, me davam para enfrentar as contrariedades, os obstáculos e as dificuldades que a vida, no seu dia a dia me ia colocando no caminho.

Mas não. Compreendi que para certos casos é preciso uma força estoíca e ela não existe dentro de mim.

Tento avançar dando dois passos para a frente mas logo a seguir recuei cinco. Fiquei pior do que estava e mentalizo-me que assim não atinjo os meus objectivos.

Paro, ganho folgo, trabalho esta cabeçinha e lá vou eu avançar uns seis passos. Fico contente pois já consegui mais que anteriormente. Mantenho-me assim mas uma recordação, um cheiro,uma frase e lá etou eu a ir para trás.

Parece um vira, ou qualquer outra dança, mas torna-se muito cansativa e frustrante.

Neste silêncio longo que aqui fiz, resultou uma conclusão que espero prosseguir, tanto na escrita, como no meu ia a dia: ando o que puder. Nem demais nem de menos mas nas medida das minhas possibilidades.

Que os meus amigos deste bairro blogueiro me compreendam e que eu volte a reatar as nossas
conversas, as nossas histórias, os nossos assuntos, que tanta falta me fazem!

sábado, 2 de abril de 2011

LUA DE MEL - 5ª PARTE

Estivemos 3 dias em casa dos Monpesant, depois da saída turbulenta do restaurante Darrouse. Eles eram amigos de um casal de agricultores e falaram em nós. Por sorte, foi o 1º ano que os D Amou aceitaram estrangeiros para a apanha de pêssegos na sua grande propriedade! Fomos apresentados e ficamos. Dormimos, inicialmente no andar inferior onde havia um quarto e casa de banho.

Na verdade, trabalhar em restaurantes ou apanhar fruta não era propriamente a nossa profissão e rapidamente tornamo-nos amigos passando a ser convidados para refeições e serões no seio da família, constituída pelo casal e 4 filhos.

Nunca comi pêssegos tão bons como em Ville mur sur Tarne. Depois de acabada a apanha dos mesmos, fomos fazer a das maças continuando nós e um chileno, o Wagner, do grupo de estrangeiros.

Os D Amou tinham outra propriedade arrendada a um casal de italianos, os Rinna, com um pequeno castelo que só metade era ocupada pela família. Nós com o Wagner fomos para a outra parte, totalmente independente. Ainda estou a vê-lo à minha frente! Uma sala grande comum com lareira, e uma cozinha. Num canto arrancava umas escadarias em semi-circulo que dava para 3 quartos e casa de banho. Todos os quartos tinham uma lareira a ocupar uma das paredes.

Fui logo apanhar flores no campo que se espairava à frente para fazer as jarras, pus na mesa rectangular e comprida um cesto com frutas que o Vabenne tinha comprado no mini mercado, abri as janelas para a arejar. Havia lençois, toalhas, colchas, sofás, cadeiras, utensílios de cozinha, enfim tudo para, depois de dar o meu jeito, se tornar num "lar doce lar". Como meio de transporte tinhamos o nosso 2 cavalos, o "Pampas" e emprestaram-nos bicicletas.

Recebemos os Rinna que nos vieram dar as boas vindas e colocarem-se à disposição e eu senti, sentada tão feliz num sofá, que ira iniciar as minhas funções de dona de casa de uma maneira sumptuosa, para quem andava de mochila e a dormir, confinada a um quarto!

Que tempos inesquecíveis que passamos aqui. Mesmo depois de terminado o trabalho dos D Amou, fomos convidados por outros agricultores amigos para outros trabalhos, mas continuamos a habitar o castelo.

Durante a semana saiamos cedo e de bicicleta iamos os três para os trabalhos agrícolas e vinhamos almoçar a casa sempre com o tempo contado. Regressávamos por volta das 5,00h. Envergava as saias compridas, punha um chapeu de abas largas e dava caminhadas que me enchiam de paz, a observar os pássaros, as plantas e s flores campestres. Por vezes ia até aos Rinna ver a fazer massa fresca ou a colher os ovos ou a passar a revista à horta que tinham, comendo pelo percurso um belo tomate ou mastigando umas ervas aromáticas!

Depois de um vigoroso banho fazia o jantar para os 3 e terminado o mesmo, ficavamos na cavaqueira, sempre com velas acessas e fumando os nossos cigarros Gitannes!!!

Eu e o Vabenne encontravamo-nos lá devido a uma revolução que tomava contornos políticos direccionado para o comunismo e o Wagner era Secretário de Estado da Agricultura do Allende, tinha sido preso na altura do Pinochet e tinha fugido com a ajuda da Igreja Católica. Era um socialista ferrenho. Fizemos um pacto: não falar de política.

Por hoje termino aqui e juro que o próximo capítulo será o final desta atribulada mas maravilhosa lua de mel!

sexta-feira, 1 de abril de 2011

LUA DE MEL - 4ª PARTE

Em Novembro, terminei a 3ª parte da minha lua de mel. Penso que será bom pegar novamente na "gaveta" da memória onde ela está bem guardada, e terminar pois senão fica este tempo da minha vida sem conclusão.

Esta foi a minha 1ª lua de mel, pois no decorrer de 36 anos de casada, tive a felicidade de ter outras (mas sempre com o mesmo marido!) Na verdade a 1ª é a marcante!

No restaurante fazia um pouco de tudo: lavava as casas de banho, engraxava os sapatos da família Darrouse, limpava o bar e servia à mesa. E é verdade: tinha que andar a fugir do filho Darrouse pois julgava-se D. Juan. O Vabenne lavava os apetrechos utilizados na cozinha e todos os utensílios das mesas do restaurante.

O dia a dia não era fácil, mas como jovem e a fazer algo que nunca tinha feito, levava tudo na desportiva.Havia mais 4 empregados para servir e outros 2 a ajudar na cozinha. Tínhamos uma convivência agradável e cúmplice entre todos. Claro que servi gente interessante, outra importante e outra fútil a qual tive se recusar muitos convites para sair depois do serviço...O Vabenne passava os dias e noites na cozinha pois a loiça era muita e caiu-lhe umas 5 vezes a pele das mãos devido aos detergentes e água quente.

O nosso dia de folga era à segunda-feira e como tínhamos comprado ao jardineiro do restaurante um 2 cavalos com 14 anos, aproveitávamos para conhecer os arredores e almoçavamos baguettes com diversos queijos, fois grais, fruta e bom vinho. Sabia-nos pela vida!

Como estávamos ainda ilegais, postos por um funcionário do serviço de emprego e sabendo
que não podíamos fazer queixa, ao fim do mês não nos pagavam o combinado. O Vabenne aguentou isto 2 meses e saímos.

Regressamos a casa dos nossos amigos Monpesant.

P.S. Continua mas estou a ver que tenho que abreviar!!!

quarta-feira, 30 de março de 2011

ATÉ JÁ!!!

Penso que chegou o momento certo de me decidir a reiniciar a escrever, pois aguardei pacientemente que tudo o que me aconteceu no início do fim do ano fosse "digerido" sem revolta, apesar da imensa dor e saudade que me causa.

O nosso controle,por vezes foge-nos e ainda tenho muitos momentos que sinto as lágrimas a correrem-me pela cara, seja na rua, em casa ou no trabalho. E para as controlar tenho que fazer um grande esforço para parar: por vezes são coisas simples como um bonito dia, a magnólia toda branca no Inverno, uma música, ou alguma palavra. Outras vezes se estou sozinha, "solta-me" as recordações do Afonso e aí as lágrimas esgotam-se.

Contudo, aos poucos tento encontrar a tranquilidade e a paz, que me fazem encarar o dia a dia, através de "defesas": escrevendo na pagina dele do FB, a qual os amigos pediram para a deixar aberta, nas boas lembranças que me traz uma vida vivida em pleno, cheio de alegria, energia, amizades e também estou a delinear um blogue mais pessoal.

Faz-me bem falar do Afonso e é isso que eu tenho que fazer para viver o luto.

Sinto que deixei, mais do que dantes, de fazer projectos, dos momentos em família não serem tão felizes, do dia a dia me passar um pouco ao lado sem a mesma intensidade, alegria e humor. Sinto que, se uma parte de mim ficou, outra partiu.

Mas vou batalhando para aproveitar bem o marido e filhos, o meu, cada vez mais encantador neto (!) e os amigos. Amigos esses que tem sido incansáveis e deste mundo blogueiro, a minha querida Laura. Longe acompanhou-me sempre com as suas mensagens de encorajamento. Bem haja minha querida.

Assim, e sempre que puder, vou marcar aqui presença. Até já!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

UMA BOA SEMANA

"Em tempo de desolação não se fazem mudanças. É um antigo princípio de sabedoria que se pode traduzir assim: quando andas em baixo, não faças opções.

Sim então não se tem luz nem discernimento para o fazer.

Espera pacientemente, clarifica-te, que chegará o momento certo da decisão."


P. Vasco Pinto de Magalhães

UPAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!



Tenho que "desfazer" as amarras que quase não me deixam aperceber que os dias passam, tenho que deixar de mentir a mim mesma que o Afonso foi fazer uma viagem demorada, até à Austrália a ver se o negócio dos frangos dará para a Mãe,tenho enfim que enfrentar a realidade e viver o luto, com todas as suas etapas, pois não sou a única que passa por esta dor sem nome e esta saudade sem fim.

Se conseguiram resistir eu também irei lutar para isso!

Quero voltar a estar com os meus amigos, falar de coisas sérias ou banais, viver a minha vida com os seus altos e baixos. Desbloquear, enfrentar, reagir.

Uma amiga minha, que viveu o mesmo que eu, criou este video no YouTube "Até breve Afonso" que adoptei como minha oração e ensinou-me a dar o grito de coragem quando me for abaixo: UPAAAAAAAAAAAAA!!!

Com estas duas coisas e os apoios que não me têm faltado, irei sobreviver a este embate da vida!!!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

SERVIÇO 118 - ROUBO DESCARADO!


Sendo cliente da concorrência, não tenho direito a lista telefónica da PT.

Assim,quando preciso de saber um número toca a ligar o 118.

Aparece sempre a mesma gravação, já programada para demorar um certo tempo:
-Diga se é instituição ou empresa.
............................................................
-Nome da mesma.
............................................................
-Localidade da mesma.
............................................................
Percebi:
- Empresa X em Y
............................................................
Se estiver correcto marque 1
.......................................................................................................................................................
Empresa X em Y existe. Tome nota do número.
.......................................................................................................................................................
Empresa X em Y: um momento que vamos passar a um operador. Obrigado.
.......................................................................................................................................................
Bom dia fala a Sicrana. Qual o número de telefone que pretende?
.......................................................................................................................................................
Disse empresa X na localidade Y?
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Lamentamos informar mas não temos registo da empresa nessa localidade.
........................................................................................................................................................
Deseja mais alguma coisa em que poderei ser útil?
........................................................................................................................................................

Estas chamadas não são grátis! Pagamos e bem.
O que mais falta para estes assaltos aos nossos bolsos? Andar tudo de pistola e praticar os roubos à descarada?
Detesto que me façam passar por lorpa...

*os pontos(.....) são as pausas em que ficamos pendurados ao telefone e quando termina durou
uns largos minutos e a orelha ferve!

domingo, 30 de janeiro de 2011

UMA BOA SEMANA

"Ouvir e escutar não é a mesma coisa. Ouvir dirige-se ao exterior, é mais ou menos superficial e efémero. Escutar é por dentro, é captar o significado profundo das palavras, dos gestos e dos silêncios, é aprender as razões, as intenções e os segredos do coração.

Aliás, só com o coração conseguimos escutar bem. Às vezes, ouvimos muitos ruídos, mas não escutamos nada; outras vezes, escutamos aquilo que não se ouve..."

P.Vasco Pinto de Magalhães,s.j.

sábado, 29 de janeiro de 2011

SEPARAR "AGUAS"....


Tem-me sido complicado separar as "águas". Se aqui venho, e eu gosto de escrever, ainda não consegui fazê-lo, sem que algum post não me leve à tentação de falar do Afonso.

Acho que não é correcto, pois mesmo para minha ajuda,
e também para os que me possam visitar, eu terei, outros temas passados que podem distrair-me e serem "leves" para os amigos.

No FB, onde tenho uma página e também o meu filho aberta, pois os irmãos e amigos pediram, surgiu-me a ideia de criar um blogue só dedicado ao Afonso.

Assim poderei, escrever o que me recordo, o que guardo para sempre na memória, como as suas peripécias, diversões, sucessos e fracassos.

Derramarei aí todas as minhas lágrimas, toda a minha dor com a sua partida mas também, toda a alegria e felicidade que ele me proporcionou.

Acho que será uma boa ideia e que muito me irá ajudar. Depois decidirei se será aberto, permitido só aos mais próximos ou somente para mim...