Ontem e já ao fim de muito tempo, apareceu-me na clínica onde trabalho, o meu amigo Victor, varredor de ruas!Foi uma alegria grande para os dois e ainda mais para ele que não me julgava encontrar ali, ao fim de tanto tempo.
Falamos sobre a vida, as voltas que ela nos obriga a fazer e relembramos tempos antigos e como nos começamos a falar.
Dantes, quando guiava, tinha sempre o hábito de ir tomar o café à mesma pastelaria. Foi na altura que surgiu a proibição de se fumar dentro de recintos fechados.
O dono colocou cá fora duas mesas com as respectivas cadeiras e eu ocupava sempre uma. Aí apanhei dias de sol mas recordo mais o frio e até pingos de chuva fustigadas pelo vento!
Passava sempre um varredor que também tinha que se sujeitar às agruras do vento: fizesse um sol de escaldar ou um frio de rachar!
Fazia-me pena ver aquele homem franzino naquela faina diária e um dia resolvi meter conversa com ele. E assim continuou sempre que passava na pastelaria à mesma hora que eu lá estava: como vai? ainda tem muito trabalho? o tempo hoje não está para se andar cá por fora. etc,etc,etc.
Depois fui trabalhar para a clínica e ele mudou de horário. Tempos depois encontramo-nos no café ao lado da clínica! Era ver a nossa alegria!
Não há coincidências há sinais! Um homem tão simples e humilde como consegue trazer-me palavras de coragem, esperança e conforto!
Espero puder transmitir-lhe o mesmo e que não voltemos a ficar tanto tempo sem nos vermos!



