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quinta-feira, 8 de abril de 2010

SHANGAI OU XANGAI?






Aceitei o desafio de "Crónicas do Rochedo", para escrever sobre a cidade que mais gostei. Não tive que pensar muito, apesar de me ter vindo logo à memória S.Francisco, Nova York, Salisbury, Budapeste, Verona, Veneza, etc. Eu adorei Shangai!!!

Mas a Shangai de 1989. Gostei tanto que na altura, se tivesse que escolher uma cidade para passar a lua de mel seria ali!

Shangai foi considerada a Paris do Oriente. Havia muito comércio e aí se estabeleceram, franceses, ingleses, alemães. Criaram-se as concessões.

Vi o filme " O império do sol nascente" e ia com uma curiosidade enorme de ver vestígios desse tempo numa Ásia que avançava a passos largos para a modernização de um país dois sistemas. Não tive decepção nenhuma!

Os bairros das concessões lá estavam, completamente degradados, com as suas magníficas moradias e jardins, onde agora em vez de habitá-la uma família, poderiam estar 4,5 ou mais conforme o tamanho da casa. Nos jardins em vez de baloiços, piscinas, havia estendais de roupa, galinheiros.

Misturar na minha mente simultâneamente o deslumbre e a riqueza que existiu naquelas moradias com a degradação agora existente, teve um efeito arrasador e ao mesmo tempo romântico!

Shangai era conhecida pelos seus antiquários pois muita coisa foi saqueada aquando da invasão dos japoneses. Tenho por hábito, em todos os sítios por onde passo, trazer algo que me recorde esse local e portanto resolvi procurar um relógio de pêndulo. Estava a ver que não iria ter sorte pois onde os havia estava apinhado de japoneses que procuravam o mesmo: não vi 1, 10 mas talvez centenas deles com vários relógios de pulso, enfiados em ambos os braços. Deviam ser coleccionadores.

Percorri Shangai com o Vabenne a pé. Diariamente fazíamos dezenas de km. Meti-me pelas ruas tipicamente chinesas, entrei nas lojas onde os proprietarios envergavam os seus fatos à Mao e vi diversas fabricas ancestrais. Retive duas coisas.

As mulheres de Shangai são muito bonitas e altas. Preocupam-se com a sua beleza e utilizam pó de pérola para a pele. Claro que não hesitei e trouxe esse luxo para mim! Numa das fábricas, sem quaisquer condições, bordam quadros com figuras usando fio de seda. Hoje tenho pena de não ter um com o meu rosto (parece pintado mas utilizam somente milhares de fios de seda) mas não tive coragem de pedir quando olhei para os olhos de uma bordadeira: saiam-lhe das órbitas! É impressionante! E o quadro não tem direito nem reverso. A tela fina é colocada num aro de madeira e o desenho tanto se vê de um lado como do outro. E todo este esforço e arte por meia dúzia de yens.

Findo o dia regressava ao "Peace Hotel". Até o hotel, com decoração "belle epoque" era algo de inesquecivel, sabendo que me encontrava na China! Tinha 8 andares e em cada um uma suite decorada com um estilo próprio: árabe, japonês, francês, etc. Destes tinha-se uma visão plena para o rio.

Ficamos num mais discreto, mas mesmo assim tinha sala de estar (onde de uma janela se via o rio com o movimento dos barcos) com lareira, quarto de dormir, quarto de vestir e casa de banho!











Depois tinha mais três recantos que adorava:
- a sala de jantar no último piso, com uma vista soberba, baixela de prata e pianista.
- o bar com a famosa banda de jazz (já existente desde os anos 30) com os mesmos músicos (!) dessa época.
- o cabeleireiro onde ia sempre ao fim do dia, para levar uma massagem por dois "gorilas",da ponta dos dedos dos pés até à cabeça, que me fazia esquecer os kms percorridos! O Vabenne um dia resolveu experimentar e nunca mais deixou. À hora que íamos éramos os únicos e saiamos de lá prontos para uma bela noitada!

Depois do jantar, servido em baixela de prata à luz de velas e ao som do piano começando sempre com caviar preto e champanhe, descia ao bar para ouvir jazz e dar uns passos de dança! Encontrava muitos turistas, a maior parte de certa idade. Julgo que muitos provavelmente se recordariam da sua infância, outros dos serões passados naquele bar ouvindo a mesma banda e os músicos, já sem a mesma garra e esperança pensando como tudo tinha mudado!!!

Shangai conseguiu transmitir-me emoções extremas, pois vivi e presenciei o passado, o presente e vislumbres de um futuro!

Neste momento estou a ouvir as badaladas do relógio. É um Seiko de 1940 comprado em Shangai!












3 comentários:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Obrigado por participar no desafio, Bacouca. tenho agendado um posts sobre Xangai para terça feira, e farei o link do seu uns dias mais tarde, por duas razões: em primeiro lugar, para respeitar a ordem de chegada e, em segundo, para não sobrepôr dois posts sobre a mesma cidade em dias muito próximos. Espro que não leve a mal...
Gostei muito do seu post e a minha visão sobre Xangai é muito semelhante à sua, embora não tenha desta vez podido ir ao Peace Hotel, porque encerrou para obras e só reabrirá este mês, dias antes da abertura ad EXPO 2010. Achei excelente a sua descrição do Peace...
Uma vez mais, obrigado

bacouca disse...

Carlos,
Eu só aceitei o seu desafio que me deu muito prazer. Sou muito emotiva e por vezes é dificil separar a emoção da razão! O Carlos gere o seu espaço da melhor maneira.
Obrigado pelas suas palavras.
Beijo

redonda disse...

Gostei muito da viagem pela sua cidade.
Obrigada
(vim até aqui pelo link do Crónicas do Rochedo)