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terça-feira, 23 de agosto de 2011

Despedidas = vazio???

Partiram!

Foi uma semana em cheio e agora é o vazio.

Ouvir o movimento pela casa, o palrar constante, os sorrisos e os risos, as brincadeiras, as salas cheias com o correr, o saltar, os entretimentos sozinho ou com a avó, deixaram-me uma saudade imensa!

Não é por ser meu neto, mas é um poço de doçura e de alegria.
Estando eu limitada a uma cadeira de rodas temos uma empatia enorme. Não posso brincar às escondidas, não posso correr atrás dele para o encher de beijinhos, não posso tê-lo a meu colo e fazer o cavalinho, mas também não preciso pois ele faz-me tudo isso!

Esconde-se e aparece feliz, corre para mim para trocarmos miminhos e sentam-no ao meu colo e inventámos um cavalinho que o faz rir à gargalhada! Acha graça à cadeira a que chama "carro da avó", achando que os travões das rodas são as mudanças que ele maneja tão bem e empurrando damos umas voltinhas pequenas. Ao andarilho acha que é uma casinha e quantas vezes se senta envolto nele a brincar com os seus carrinhos ou sentado a pintar o seu livro de colorir.

E isto tudo me deixa tão feliz e com a certeza que ainda sou útil para o meu neto. Canto, entretenho-o para comer, brincamos, fazemos caretas um ao outro e somos cúmplices em tantas malandrices que ele faz!

Tenho tanta ternura que ainda não consegui encontrar um "petit nom" para o tratar: "estrufe", "pirralho", "pecheneca", Vaskotita, piolho, etc,etc,etc. Quando a ternura não tem limites tenho a tendência de arranjar "petit nom" como tenho para o marido e filhos. Ao Vasco Junior ainda não acertei!

Partiram ao fim de uma semana! Agora irei preencher os momentos com as magnificas recordações. Contudo não consegui, depois de saírem, conter as lágrimas todo o dia. Queria parar e elas escorriam-me pelos olhos.

Porque é que as coisas boas têm que terminar? Porque tenho os meus filhos tão longe? Porque é que depois de uma vida tão feliz "ela" agora não me proporciona a possibilidade de me deslocar sozinha e ir ter com eles?

Tantos porquês e porque não: eu posso! Tenho apoios, tenho facilidades nos transportes, tenho sítios preparados para me receberem onde eles estão a viver. Tenho é que perder o medo de incomodar, o medo de não me aventurar.

Meu querido neto, um dia destes a avó vai ter contigo!

8 comentários:

Luz disse...

Minha querida amiga,

Você tem a chave para abrir essa porta e ir ter com eles.
Você pode e deve.
Arrisque.
Esses problemas de saúde dão em GENTE. Então, gente sabe como lidar com eles. E quando essa "gente" são nossos filhos e netos o amor fala mais alto sempre.
Acho que eles estão também precisando de ti.
Perto deles.
Pense nisso.
Amo essa amiga.
Beijinhos

Dreamer disse...

Medo de incomodar os filhos! Eles ficam radiantes com a nossa companhia... Estou em casa da filhota mais nova, onde passo os dias sozinha com o gato (porque eles estáo a trabalhar), mas quando chegam, ao fim da tarde, são só mimos de parte a parte. Vá passar uns dias com eles e loeve o Vabene!

Bacouca disse...

Luz
Se eu tivesse a chave minha querida...A chave é o amor que tenho por todos mas eu que fui sempre uma mulher super independente, a dependência bloqueia-me ainda mais do que devia. Tenho que descobrir o escondido "on" na minha cabeça. A mentalização é grande, tenho laivos de esperança, momentos de coragem e peço a Deus que me ajude nesta fase que atravesso.
Beijo

Bacouca disse...

Dreamer,
Isso não tenho duvida que eles gostam da nossa presença! Eu é que me acho a mim própria um peso e vou adiando. Mas sei que isto piora mais a minha situação e portanto tenho que dar a volta!
Peço ao Vabenne e lá vamos os dois! Poderei partir com um certo receio mas depois não irei dizer: afinal é possível?
A apatia é que nunca foi boa conselheira.
Beijo

Luz disse...

Te entendo e ainda digo você tem a chave...
Qual o problema em depender? Eles também não dependeram de você quando pequenos?
Acha que vai incomodar? Fique menos tempo. Mas vá.
Talvez o on esteja em enfrentar.
Beijinhos cheios de amor

domundo disse...

Luz,
Pode mesmo ser que o "on" esteja no ir! Nada como experimentar!
Beijo

Só agora reparei que a resposta vai no blog que eu criei para o meu filho. Desculpa.
BACOUCA

Laura disse...

Nada como ir, não empatas, não te encolhas, escolhe ser feliz algumas vezes por ano e eles também ficam felizes contigo...

Só é pena não poderes andar bem, mas, com amor tudo se resolve e ralmente perguntamos; porque estamos longe de quem amamos tanto? enquanto que há familias que vivendo tão perto, nem se suportam...

Um beijinho para ti e outro para esse doce pirralho que já nos enche o coração.

laura

GJ disse...

Só venho deixar um beijinho, porque tanta pergunta merece melhor resposta. Já volto :)