" "Apanhar por tabela!" Esta expressão é interessante e faz pensar. Há sempre secundários, e quando tomamos remédios queremos saber quais são. Mas na vida, com o que dizemos e fazemos, podemos esquecer os efeitos negativos que isso possa ter em terceiros.
Há muito sofrimento por coisas com que não se teve nada a ver, mas de que, por tabela, se foi vítima. Na família, no emprego, na sociedade há muita gente a apanhar por tabela."
Vasco Pinto de Magalhães, s.j.
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domingo, 19 de junho de 2011
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Que pena que eu tenho!

Também tive muito tempo sem escrever no meu cantinho, neste blog,
onde tanto gosto de receber os amigos.
Julgo que tive razões muito fortes para isso e terei a desculpa de todos.
Contudo, fui-me habituando a ter um grupo pequeno de bloggeiros que escolhi pois gostava muito de os ler: uns porque escreviam muito bem ( ex: ares da minha graça), outros porque traziam sempre uma mensagem positiva (ex. cantinho da luzia), outros porque me divertiam bastante os seus posts (ex:desconversa), etc, etc, etc.
Vejo, com muita pena, que já há muito tempo não escrevem: terão emigrado?, terão tirado uma longa licença sabática?, terão mesmo desistido?.
Por favor, quem souber informe-me para eu me ir habituando à ideia de que provavelmente não voltarão a escrever!
Que pena!
terça-feira, 14 de junho de 2011
36 ANOS DE CASADOS!
"-Para a saúde e para a doença; para a alegria e para a tristeza".
"Éramos jovens quando ouvimos esta frase, mas nenhum de nós a esqueceu. Atravessamos mares e continentes, vivemos altos e baixos, amparamo-nos e criticamo-nos quando necessário, choramos e rimos juntos, cedemos quando era altura e fincamos pé quando foi necessário. Vivemos épocas desafogadas e unimo-nos em alturas criticas. Fizemos loucuras e actuamos em momentos muito sérios. Juntos criamos 3 filhos,fizemos a nossa casa, plantamos as nossas árvores e estamos agora a escrever a nossa história!
E pensar que tudo terá começado , não por uma coincidência mas por um sinal, quando fizemos a viagem de vários dias no Infante D. Henrique, de Angola para Lisboa. Ficamos vários meses a viver no Porto. Contudo nesse período, cada um seguiu o seu caminho e nem sequer uma vez nos cruzamos. Ao ter que regressar novamente a África, desta vez no Príncipe Perfeito, encontramo-nos no deck do barco! Eu desembarquei em Luanda e tu seguiste para o Lobito. Tínhamos iniciado uma amizade que algum tempo depois (nessa altura o tempo era tempo) acabou em namoro."
Escrevi isto à um ano e hoje que fazemos 36 de casados, acho que pouco tenho para acrescentar: o namoro deu origem a um grande respeito, cumplicidade e amizade.
Para mim, e depois destes anos todos, a maior infelicidade que me poderias dar seria partires antes de mim.
"Éramos jovens quando ouvimos esta frase, mas nenhum de nós a esqueceu. Atravessamos mares e continentes, vivemos altos e baixos, amparamo-nos e criticamo-nos quando necessário, choramos e rimos juntos, cedemos quando era altura e fincamos pé quando foi necessário. Vivemos épocas desafogadas e unimo-nos em alturas criticas. Fizemos loucuras e actuamos em momentos muito sérios. Juntos criamos 3 filhos,fizemos a nossa casa, plantamos as nossas árvores e estamos agora a escrever a nossa história!
E pensar que tudo terá começado , não por uma coincidência mas por um sinal, quando fizemos a viagem de vários dias no Infante D. Henrique, de Angola para Lisboa. Ficamos vários meses a viver no Porto. Contudo nesse período, cada um seguiu o seu caminho e nem sequer uma vez nos cruzamos. Ao ter que regressar novamente a África, desta vez no Príncipe Perfeito, encontramo-nos no deck do barco! Eu desembarquei em Luanda e tu seguiste para o Lobito. Tínhamos iniciado uma amizade que algum tempo depois (nessa altura o tempo era tempo) acabou em namoro."
Escrevi isto à um ano e hoje que fazemos 36 de casados, acho que pouco tenho para acrescentar: o namoro deu origem a um grande respeito, cumplicidade e amizade.
Para mim, e depois destes anos todos, a maior infelicidade que me poderias dar seria partires antes de mim.
domingo, 12 de junho de 2011
UMA BOA SEMANA
"O saber e o sabor. Hoje estou mais atento ao "sabor das coisas" do que a "saber coisas".
É que há muita gente que não sabe qual é o sabor da vida simples e desprendida, de um encontro pacífico e não interesseiro, de um momento de verdade...
É talvez mais importante saborear a vida do que saber da vida."
P. Vasco Pinto de Magalhaes,.j.s
É que há muita gente que não sabe qual é o sabor da vida simples e desprendida, de um encontro pacífico e não interesseiro, de um momento de verdade...
É talvez mais importante saborear a vida do que saber da vida."
P. Vasco Pinto de Magalhaes,.j.s
sábado, 11 de junho de 2011
OBRIGADO LAURA!

Não posso deixar de fazer isto.
Nos blogues, houve uma altura que se davam selos pelo mérito dos mesmos.
Como tenho andada arredada deste "mundo", não sei se ainda é hábito.
Contudo para mim ainda é hábito ficar grata pelo apoio e amizade que me dão e por isso a razão deste selo ou prémio.
Não escrevia aqui no meu espaço mas reparei que a minha querida amiga LAURA, me deixava sempre um comentário e por vezes vários, dando-me coragem, animo, esperança e força para voltar a enfrentar a vida no seu dia a dia.
Nunca desistiu apesar de eu não responder aos seus comentários. Por tudo isso, é do fundo do coração e com a máxima gratidão que lhe agradeço.
Bem haja minha querida!
UM MENINO-HOMEM RUI!
Conheci-o por um acaso. Na pastelaria onde ia sempre tomar o meu café e sentada na esplanada, via-o na sua figura miúda, com a farda da Câmara, com o seu carrinho verde e várias vassouras e pás, apanhando papeis, folhas das árvores, restos de detritos e beatas de cigarros.
Comecei a dar-lhe os bons dias, e através dos seus óculos de lentes, gargalo de garrafa, respondia-me com um sorriso tão contente que dava para notar aqueles olhos sorriem. Soube, mais tarde, que no seu longo perímetro de trabalho, eu era a única que lhe desejava um "bom dia", apesar de passar por centenas de pessoas, na maioria diariamente.
Começou por parar naquele local (onde eu ia todos os dias), para beber da garrafa que trazia, o seu golo de água e darmos dois dedos de conversa: ele timidamente fazia-me perguntas e eu, mais afoita tentava saber coisas concretas da sua vida. Demorava no máximo 5 minutos e despedia-se com um pedido de desculpas mas, "sabe minha sra. a Câmara está a pagar-me"!
Nunca se queixou da sua vida nem nunca me contou a sua história. Soube-a por um acaso.
Um dia, estava a sair da clínica onde trabalho pois uma amiga ia-me buscar, e vi o Rui, na sua bicicleta. Parou com uns travões manhosos e desde o farolim ao para lamas tudo tremeu devido à rapidez da travagem. Os seus olhos ainda sorriram mais por me ver longe do sítio onde nos encontrávamos e por achar, concerteza, ser o destino o fazedor daquele encontro!
Conversamos um pouco mais pois a minha amiga chegou e à despedida disse-me: que bom já sei mais um sitio onde posso, se possível, encontrar a sra!
No carro a minha amiga perguntou-me se eu sabia com quem estava a falar. Contei-lhe como tínhamos começado as nossas curtas conversas e que se chamava Rui. Mais nada.
Aí soube um pouco da sua história. Era órfão e viveu na Casa dos Rapazes. Aos 21 anos teve que sair e fazer-se à vida. Encontrou um emprego de limpador num circo em Ponte de Lima. Não lhe pagavam nada do combinado e nem podia sair. Viveu uns anos sequestrado em condições miseráveis e foi um amigo dele, surdo-mudo, também da Casa dos Rapazes que o descobriu denunciando por escrito o caso à Polícia de Viana que o foi buscar. O caso tinha sido notícia no canal da TVI.
Pela sua maneira de ser, via-se que não era um menino-homem desgostoso com a vida mas feliz com a oportunidade que a mesma lhe tinha proporcionado.
Ainda há pessoas destas, graças a Deus!!!
Comecei a dar-lhe os bons dias, e através dos seus óculos de lentes, gargalo de garrafa, respondia-me com um sorriso tão contente que dava para notar aqueles olhos sorriem. Soube, mais tarde, que no seu longo perímetro de trabalho, eu era a única que lhe desejava um "bom dia", apesar de passar por centenas de pessoas, na maioria diariamente.
Começou por parar naquele local (onde eu ia todos os dias), para beber da garrafa que trazia, o seu golo de água e darmos dois dedos de conversa: ele timidamente fazia-me perguntas e eu, mais afoita tentava saber coisas concretas da sua vida. Demorava no máximo 5 minutos e despedia-se com um pedido de desculpas mas, "sabe minha sra. a Câmara está a pagar-me"!
Nunca se queixou da sua vida nem nunca me contou a sua história. Soube-a por um acaso.
Um dia, estava a sair da clínica onde trabalho pois uma amiga ia-me buscar, e vi o Rui, na sua bicicleta. Parou com uns travões manhosos e desde o farolim ao para lamas tudo tremeu devido à rapidez da travagem. Os seus olhos ainda sorriram mais por me ver longe do sítio onde nos encontrávamos e por achar, concerteza, ser o destino o fazedor daquele encontro!
Conversamos um pouco mais pois a minha amiga chegou e à despedida disse-me: que bom já sei mais um sitio onde posso, se possível, encontrar a sra!
No carro a minha amiga perguntou-me se eu sabia com quem estava a falar. Contei-lhe como tínhamos começado as nossas curtas conversas e que se chamava Rui. Mais nada.
Aí soube um pouco da sua história. Era órfão e viveu na Casa dos Rapazes. Aos 21 anos teve que sair e fazer-se à vida. Encontrou um emprego de limpador num circo em Ponte de Lima. Não lhe pagavam nada do combinado e nem podia sair. Viveu uns anos sequestrado em condições miseráveis e foi um amigo dele, surdo-mudo, também da Casa dos Rapazes que o descobriu denunciando por escrito o caso à Polícia de Viana que o foi buscar. O caso tinha sido notícia no canal da TVI.
Pela sua maneira de ser, via-se que não era um menino-homem desgostoso com a vida mas feliz com a oportunidade que a mesma lhe tinha proporcionado.
Ainda há pessoas destas, graças a Deus!!!
quarta-feira, 8 de junho de 2011
BLOG VS FACEBOOK
Acho que vou fazer como a minha filhota: recomeçar a escrever aqui. Por vezes é-me difícl encontrar tema mas no final dá-me mais satisfação pois tenho que pôr a cabeça a pensar em assuntos diferentes daqueles que agora me assolam com tanta frequência à ideia.
Nem que sejam só meia dúzia de linhas mas o prazer é maior que o facebook. Este faz-me lembrar uma barraca da feira popular onde escrevemos algo, obtemos quase em simultanêo resposta e não saimos daquilo: é o facilitismo imediato.
Este espaço é mais personalizado, mais humanizado, mais pessoal.
Vou voltar a vir aqui nem que não seja com a frequência de antigamente mas vou voltar.
Para falar da minha dôr, do meu filho, deste processo que já vai no 6 mês, criei um espaço e aí sim exponho a minha mágoa, as minhas saudades.
Como disse uma vez: BLOGO LOGO EXISTO!!! E eu tenho que sair deste casúlo em que estou...
Nem que sejam só meia dúzia de linhas mas o prazer é maior que o facebook. Este faz-me lembrar uma barraca da feira popular onde escrevemos algo, obtemos quase em simultanêo resposta e não saimos daquilo: é o facilitismo imediato.
Este espaço é mais personalizado, mais humanizado, mais pessoal.
Vou voltar a vir aqui nem que não seja com a frequência de antigamente mas vou voltar.
Para falar da minha dôr, do meu filho, deste processo que já vai no 6 mês, criei um espaço e aí sim exponho a minha mágoa, as minhas saudades.
Como disse uma vez: BLOGO LOGO EXISTO!!! E eu tenho que sair deste casúlo em que estou...
domingo, 22 de maio de 2011
UMA BOA SEMANA
"Só sabe dizer "sim" quem souber dizer "não". É tão difícil dizer "sim" quando deve ser e "não" quando tem de ser, tantas vezes contra tudo e contra todos.
Mas seria isso que faria a diferença. E seria o mais benéfico para o mundo.
A verdade não vai por maiorias. São os interesses,a imagem, as pressões que nos deixam sem liberdade.
Não fico sózinho se ficar com a verdade".
P. Vasco Pinto de Magalhães, s.j.
Mas seria isso que faria a diferença. E seria o mais benéfico para o mundo.
A verdade não vai por maiorias. São os interesses,a imagem, as pressões que nos deixam sem liberdade.
Não fico sózinho se ficar com a verdade".
P. Vasco Pinto de Magalhães, s.j.
sábado, 21 de maio de 2011
MUITOS PARABÉNS MÃE!
Hoje fazia anos Mãe. 76 anos. Imagino como seria e só posso imaginar uma senhora de figura frágil ( mas tão forte de princípios e força de vontade), sempre bonita, com o seu ar e sorriso bondoso e com os seus cabelos prateados ou de um loiro muito suave.
Tenho muitas saudades da sua presença, dos seus conselhos, das suas palavras sinceras e tão amigas.
Mas sei Mãe que está melhor onde se encontra: está acompanhando todos os que lhe são queridos e a todos dá um sinal de coragem, de alegria, de conforto. Disso não tenho dúvidas!
Como aguentaria aqui a perda do seu neto quando eu sei que estiveram e estão juntos? Como aguentaria ver a minha dôr aqui, quando eu sinto as suas palavras de consolo tão fortes e animadoras que me diz?
Está melhor onde está Mãe e eu fico feliz por isso. Hoje mais do que nunca, hoje com mais certeza do que julguei ter.
Muitos parabéns querida Mãe!!!
Tenho muitas saudades da sua presença, dos seus conselhos, das suas palavras sinceras e tão amigas.
Mas sei Mãe que está melhor onde se encontra: está acompanhando todos os que lhe são queridos e a todos dá um sinal de coragem, de alegria, de conforto. Disso não tenho dúvidas!
Como aguentaria aqui a perda do seu neto quando eu sei que estiveram e estão juntos? Como aguentaria ver a minha dôr aqui, quando eu sinto as suas palavras de consolo tão fortes e animadoras que me diz?
Está melhor onde está Mãe e eu fico feliz por isso. Hoje mais do que nunca, hoje com mais certeza do que julguei ter.
Muitos parabéns querida Mãe!!!
terça-feira, 17 de maio de 2011
LUA DE MEL - 6ª PARTE E FINAL!!!
Tenho que acabar este capítulo da minha vida pois senão é uma vergonha! Começei a escrever ainda o ano passado e em meados de Maio ainda não terminei. Podia quase fazer um blog só com esta lua de mel, pois os episódios foram tantas, as sitações a que me expus tão variadas as emoções tão fortes que teria tema...!
Se conseguir claro, hoje termino pois vou resumir somente às funções que exerci, e não aos momentos e às emoções que os rodearam! Há alturas, contudo, que o coração fala mais alto!
Depois de trabalhar dos D Amou, fui apanhar cebolas. Trabalho muito duro fisicamente pois apanhava a hora do sol a pique, com um enorme campo à minha frente e sempre de cócoras. Era eu e 11 marroquinos. Faziamos uma pausa para fumar o nosso cigarrito e eles espantados com o trabalho rude só me diziam: vá para a nossa terra que nós, sendo pobres, não deixamos as nossas mulheres trabalhar assim. O único momento discontraido era quando tinhamos que limpar as cebolas: iamos para o armazem onde elas eram guardadas e, no fresco e sentados numa pilha enorme, tiravamos as cascas velhas às ditas. Dava para horas de paleio e troca de modos de vida!
Depois fui fazer as vindimas e o grupo era engraçado e alegre: tudo cantava e contava anedotas. Comi uvas até que me fartei. Juntavamo-nos todos ao almoço debaixo de um alpendre e eu só chegava a casa (castelo) depois das 5.00 na minha bicicleta. Ia feliz e contente por aqueles campos pois regressava ao lar onde tinha o Vabenne à minha espera cheio de saudades!
Eu não sabia o que era machismo naquela altura e nem me interessava: enquanto o Vabenne o Wagner, depois de um banho reparador ( eles tinham outros trabalhos agricolas com o D Amou) sentavam-se cá fora a tomar um aperitvo eu preparava o jantar ou passava a ferro feliz que nem a carochinha da história...!
Os serões eram passados na cavaqueira, mas deitavamo-nos cedo pois no outro dia madrugavamos.
Depois juntamo-nos os três na apanha da alface e encaixotamento das mesmas para o mercado abastecedor. Aí aprendi que se compra com os olhos e por isso fomos "industrializados" para colocar as melhores e mais viçosas por cima!
Estavamos em Outubro/Novembro e o frio era muito. Deixei várias vezes de sentir as mãos porque as alfaces estavam molhadas e tinha que bater com as mãos nas costas com muita força para elas "acordarem". Cruzavamo-las à frente e batiamos nas omoplatas!!! Começavamos a tirar a roupa(era às camadas) só para o fim da manhã. O nosso chefe e patrão aparecia logo ao início da jornada de calções e manga curta. Julgo que beberia aguardente não?!!!.
Depois fui convidada para ser baby sister a tempo inteiro da filhota de um empresário de uma fábrica. Começava a subir na carreira.
Aí surgiu uma convocatória para o Vabenne regressar a Portugal senão seria considerado desertor. Imagine-se Portugal em 75 em que a tropa era uma rebaldaria e todos eram dispensados. Passamos noites a ponderar o assunto e o Vabenne decidiu que era melhor voltar do que ter que passar a fronteira a "salto" sempre que quizessemos vir a Portugal.
E regressamos! Partimos duma madrugada no nosso 2 cavalos, arriscando a atravesar os Pirineus cheios de neve, num carro velho e sem correntes. Ao abrirmos a porta e estando o Wagner levantado para se despedir, estava afixada na mesma uma fotografia do Pinochet dizendo: procura-se vivo o morto. A nossa promessa tinha sido cumprida!!!
Foi uma lua de mel que nos uniu muito no sacrifício, no companheirismo na amizade que perdurou e perdura!
Se conseguir claro, hoje termino pois vou resumir somente às funções que exerci, e não aos momentos e às emoções que os rodearam! Há alturas, contudo, que o coração fala mais alto!
Depois de trabalhar dos D Amou, fui apanhar cebolas. Trabalho muito duro fisicamente pois apanhava a hora do sol a pique, com um enorme campo à minha frente e sempre de cócoras. Era eu e 11 marroquinos. Faziamos uma pausa para fumar o nosso cigarrito e eles espantados com o trabalho rude só me diziam: vá para a nossa terra que nós, sendo pobres, não deixamos as nossas mulheres trabalhar assim. O único momento discontraido era quando tinhamos que limpar as cebolas: iamos para o armazem onde elas eram guardadas e, no fresco e sentados numa pilha enorme, tiravamos as cascas velhas às ditas. Dava para horas de paleio e troca de modos de vida!
Depois fui fazer as vindimas e o grupo era engraçado e alegre: tudo cantava e contava anedotas. Comi uvas até que me fartei. Juntavamo-nos todos ao almoço debaixo de um alpendre e eu só chegava a casa (castelo) depois das 5.00 na minha bicicleta. Ia feliz e contente por aqueles campos pois regressava ao lar onde tinha o Vabenne à minha espera cheio de saudades!
Eu não sabia o que era machismo naquela altura e nem me interessava: enquanto o Vabenne o Wagner, depois de um banho reparador ( eles tinham outros trabalhos agricolas com o D Amou) sentavam-se cá fora a tomar um aperitvo eu preparava o jantar ou passava a ferro feliz que nem a carochinha da história...!
Os serões eram passados na cavaqueira, mas deitavamo-nos cedo pois no outro dia madrugavamos.
Depois juntamo-nos os três na apanha da alface e encaixotamento das mesmas para o mercado abastecedor. Aí aprendi que se compra com os olhos e por isso fomos "industrializados" para colocar as melhores e mais viçosas por cima!
Estavamos em Outubro/Novembro e o frio era muito. Deixei várias vezes de sentir as mãos porque as alfaces estavam molhadas e tinha que bater com as mãos nas costas com muita força para elas "acordarem". Cruzavamo-las à frente e batiamos nas omoplatas!!! Começavamos a tirar a roupa(era às camadas) só para o fim da manhã. O nosso chefe e patrão aparecia logo ao início da jornada de calções e manga curta. Julgo que beberia aguardente não?!!!.
Depois fui convidada para ser baby sister a tempo inteiro da filhota de um empresário de uma fábrica. Começava a subir na carreira.
Aí surgiu uma convocatória para o Vabenne regressar a Portugal senão seria considerado desertor. Imagine-se Portugal em 75 em que a tropa era uma rebaldaria e todos eram dispensados. Passamos noites a ponderar o assunto e o Vabenne decidiu que era melhor voltar do que ter que passar a fronteira a "salto" sempre que quizessemos vir a Portugal.
E regressamos! Partimos duma madrugada no nosso 2 cavalos, arriscando a atravesar os Pirineus cheios de neve, num carro velho e sem correntes. Ao abrirmos a porta e estando o Wagner levantado para se despedir, estava afixada na mesma uma fotografia do Pinochet dizendo: procura-se vivo o morto. A nossa promessa tinha sido cumprida!!!
Foi uma lua de mel que nos uniu muito no sacrifício, no companheirismo na amizade que perdurou e perdura!
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