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domingo, 10 de janeiro de 2010

QUE AS PARTIDAS SEJAM ASSIM ACOMPANHADAS!

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Ao ouvir esta sinfonia, fecho os olhos e recuo 23 anos atrás. Foi ao som da mesma, no volume que se ouvisse no 1º andar da casa, que o Vabenne resolveu acordar-nos às 6,00horas da manha do dia 10.01.87. Iamos partir para Macau.

Nessa data, por estranho que pareça, havia muito pouca informação sobre esse pequeno pedaço de terra sob administração portuguesa e portanto a expectativa era muito grande. Sabíamos que iríamos ter uma casa atribuída pela administração, pois o Vabenne tinha sido convidado para trabalhar para o governo, que o clima era muito húmido, que havia muita prostituição e que havia escolas portuguesas para os filhos.

Mas não quero, agora, "desviar-me" desse dia 10!. Foi com um aperto grande no coração que ouvi fechar a porta da nossa casa, passar em frente das casas dos nossos vizinhos (que dormiam de certeza um sono tranquilo sem mudanças para o desconhecido), ver raiar o dia no trajecto para o aeroporto do Porto, sem saber ao certo, quando voltaria a ver aquelas aldeias e vilórias que atravessava.

Os meus filhos que tinham na altura,10,5 e 3 anos viviam um misto de excitação e pena: deixavam a sua casa, os seus amigos, o seu ambiente estável, os seus avós, tios e primos em troca do contacto com uma nova realidade. A despedida no aeroporto marcou-nos a todos pois, mais não fosse, íamos deixar o ocidente para viver no oriente!

Era a 1ª vez que eles iam andar de avião e portanto, já dentro do arbus da AirFrance, a excitação e pena deu lugar à curiosidade o que bastante desanuviou o ambiente dos pais!

Chegamos a Paris debaixo de um forte nevão e fomos conduzidos ao Hotel Meridien, naAv.Foch (Etoile). Lembro-me que os quartos eram muito agradáveis e como sabiam que viajavamos com crianças, os mesmos comunicavam por uma porta interior. Tratamento Vip (recordo-me que os produtos das casas de banho, como sabonetes, shampoo, etc, eram Hermes),o que soube muito bem depois de toda a emoção vivida!

Depois do jantar, subimos aos quartos pois no dia seguinte de manhã, continuaríamos viagem. Havia um concerto no hall do hotel do Lionel Hampton e a sua orquestra ao qual o Vabenne fez muito bem em não perder. Aqui a Bacouca teve que ficar com as crias!

Irei, se puder, nestes próximos dias dar continuidade a este reviver de uma mudança inesquecivel.

4 comentários:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Uns meses depois eu seguiria o mesmo trajecto, com paragem no Meridien, neve em Paris e um pequeno nó na garganta. Apesar de ter tido sempre vida de andarilho, Macau era a primeira paragem no Oriente desconhecido. 24 horas depois de ter chegado á tinha a ceteza de ter feito a escolha certa.

bacouca disse...

Carlos,
Somos uns aventureiros! Cá em casa dizem que eu tenho sempre a mala pronta e que sou o verbo ir!
Como é bom conhecer!
Beijo

Mike disse...

O Vabenne é que sabe! (risos)
E a Bacouca também. :)
Essa sinfonia posso ouvi-la durante um dia inteiro, Bacouca. :D

bacouca disse...

Mike,
Na verdade o Vabenne sabe pôr todos nós cá em casa a "pinchar"!
Com a 9ª é díficil não reagir.
Xi