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sábado, 17 de julho de 2010

UM FIM DE SEMANA EM CABO LEDO!

Continuando as minhas conversas com os queridos amigos Teresa Mexia e o Victor Chaby, as memórias não conseguem deixar de surgir com toda a velocidade e alegria!

Ontem surgiu temas para mais uma centena(!) de posts os quais irei pensar se os descrevo na integra pois a malandrice e a maluqueira era tanta...(não me posso esquecer que sou avó!!!).

Hoje irei descrever os fins de semana passados na Reserva de Caça da Kissama, em Cabo Ledo.

A Reserva era enorme mas em África as distâncias não são medidas! Contudo o meu amigo, num comentário que fez, descreve a sua extensão. Aí, na zona de Cabo Ledo, a Petrangol tinha descoberto petróleo. Foram feitas instalações que incluía uma casa de construção colonial que era utilizada pelos administradores (com uma varanda em redor), piscina, um pequeno bar no exterior e até um mini cinema ao ar livre! Estes equipamentos exteriores também eram utilizados por um grupo de tropa que fazia a segurança ao local. A casa, localizada no alto, tinha uma vista magnifica para a extensão de mar e areal a que se tinha acesso por uma ravina.

Íamos sempre um grupo de amigos: rapazes e raparigas.

A chegada, que normalmente era ao sábado, era passada entre a praia, uma volta de jipe pelos arredores, jogatina de cartas ou monopólio, e à noite cinema.

E aí começava logo uma das nossas "malandrices". O mini-cinema, enchia-se de tropa, que ali se encontrava "isolada" e portanto a chegada das meninas era algo de excitante! Os mais atrevidos e os oficiais "metiam" conversa à qual nós éramos toda ouvidos! Claro que o filme decorria e nem atenção prestávamos pois só sei que "captavamos" logo os mais giros, divertidos e com histórias também interessantes para contar!!!

Já tarde, regressávamos a casa porque a alvorada seria às 4.00horas da manhã, para fazer um safari" visual": elefantes, girafas, leões, etc.

A casa, como disse, era estilo colonial, em madeira, com varanda a todo o correr, janelas grandes com portada em madeira e uma contra portada somente com rede de mosquiteiro, salas e quartos espaçosos, ventoinhas de tecto, decoração simples mas confortável e em redor da casa, antes da vegetação, havia uma faixa larga de gravilha.

Lembro-me que dormia no quarto com a Teresa. Hoje penso que não tinhamos sequer a noção do perigo a que nos expunhamos.

Quando o silêncio imperava, sinal de que todos dormiam, saltávamos pela janela e íamos ou para a piscina tomar banho ou então ficávamos na varanda à conversa e a fumar! Tudo isto em "cuequinhas" pois as noites eram quentes.

Lembro-me que, uma das vezes, ouvimos passos na gravilha a aproximarem-se. A cama onde a Teresa dormia, ficava encostada a uma das janelas e ainda ontem, entre gargalhadas, tentamos recordar como "voamos" literalmente, da varanda para a cama e fechamo-la tão rápido!!! Continuamos sem saber...

Claro que já eram as 4.00h da manhã (nunca dormiamos), e lá nos juntavamos aqueles que queriam ir ver animais.

Por "picadas" (caminhos em terra batida por vezes com buracos e buracões!), entre arvoredo, aos saltos no jipe, ninguém percebia como eu mantinha a boa disposição e genica (e mal sabiam que eu e a Teresa nem tinhamos pregado olho!). Chegava a dançar!!!

O truque: aspirina com coca-cola. Dava-me uma "pica" do caraças!

Quando regressávamos a casa, aguardava-nos um magnífico pequeno-almoço, preparado e servido pelos dedicados empregados da casa de Cabo Ledo, na Reserva de Caça da Kissama, à qual o Tio Manel tinha acesso devido ao seu cargo na Petrangol.

Dormiamos então, com um olho aberto e outro fechado (!), porque antes de partir para Luanda,
queriamos ir novamente à praia e por vezes com o interesse de voltar a ver...algum oficial!

Não há Maldivas, Boracay, Puket, Kota Kina Balu,Havai, etc, (onde já tive a sorte de estar), que consigam fazer esquecer Cabo Ledo.

Por isso, o meu muito obrigado ao Tio Manel e Tia Maria Luísa, e às filhas mais novas por me terem convidado para estes momentos!

As fotografias foram tiradas do Google pois as verdadeiras foram roubadas ou queimadas por um alto dirigente cubano que usurpou a minha casa!

8 comentários:

Lisa Nunes disse...

BAKOUKA QUERIDA
QUE SAUDADES DE TI, DE LER-TE
SENTI FALTA DA SUA ALEGRIA E ENTUSIASMO. BOM FIM DE SEMANA PRA VOCE, COM TUDO DE BOM, UM GRANDE BEIJO

Laura disse...

Oh, eu tive de tudo isso na Barra do Quanza quando fomos ver as tartarugas desovar, enormes...e ficamos ali acampados 5 dias...que sonho, só eu meu irmão, a Luisa e o rui, Licinha Ana Maria e João, duas barracas e muita muita comida, o jeep bem atestado e vrum....

e em serpa Pinto, ah, ali era mata, eram soldados ao deus dará a tentar engatar a menina com 18 anitos, maravilha,a té tive pedidos de casamento de um alferes já casado enfim, pegou-se com outro que dançava comigo num baile lindo de oficiais, menina, quanta recordação nestes momentos..quanta alegria na alma, não me arriscava não, na mata havia leões, no rio jacarés ehhhhhhhhe andava de metralhadora à noite..fuuuuuuuuuuuuuu.. Bonito o teu relato, bonitos os teus dias e siso não é para todos..
aquele abraço da laura

bacouca disse...

Lisa,
Isso digo eu menina!!! Aqui em casa toda a gente é testemunha do meu lamento: Meu Deus que será feito da Lisa? Tenho saudades de "estar" com ela. Faz-me falta encontrar algo no seu cantinho.
Que bom minha querida que voltou! Vou já lá!
Um beijo grande

Também tenho muita saudade da Lucia...

bacouca disse...

Laura minha querida,
Tambem conhece aquela terra maravilhosa!
Que sorte a nossa ter vivido parte das nossas vidas em Angola, onde não havia horizontes, preconceitos e o futuro era algo que não nos preocupava!
Sim, tambem me lembro de ir ver as tartarugas.
Ultimamente no FB surgiu um grupo formado por pessoas minhas amigas mas que se tem alargado. Por isso esta minha"fase" de recordar esses tempos. Se quiser dou o link do FB.
Um beijo

Victor disse...

Minha Querida.
O tal quartel do exército que existia em Cabo Ledo, foi inicialmente a Companhia de Caçadores 103, que depois os seus efectivos foram transferidos para a Muxima e foi convertido em prisão militar. Havia uma particularidade nessa prisão, que era terem uns viveiros de lagostas no mar mesmo em frente ao quartel. Pois sempre que passavam as traineiras em direção a Luanda, com lagostas abaixo do seu tamanho, de comercialização, eram deixadas ali e eu era um dos grandes benificiados nisso, pois como nas patrulhas, sempre que passava por lá, deixava umas quantas garrafas de whisky e outras bebidas(que eram proibidas visto ser prisão). Então, sempre que havia lagostas eles enviavam-me um rádio (tudo em cifra) não fosse alguém interceptar as mensagens, a dizer que tinham as ditas "limas" para mim. Tenho aqui comigo os dois crachás das duas fases dessa companhia, mas não posso introduzir imagens. Já agora, só para complemento das mensagens, a desova das tartarugas gigantes, era na praia das Palmeirinhas, um pouco antes da Barra do Quanza. Bjinhos e até à próxima.
V.Chaby

bacouca disse...

Querido Victor,
Adorei a tua descrição! Sempre foste "malandro" e sabendo viver! Então "limas"! Quem com esse teu olhar e soriso te levaria preso?!!1
Sim eu sei que a desova era nas Palmeirinhas. Uma das muitas praias a perder de vista e lindas. Também tenho de lá uma peripécia com os gémeos...
Um bejão e espero-te aqui sempre que quizeres!
Ainda vais criar um blogue e deixar essa "Farmville"!

Victor disse...

Minha querida.
Só para informação, para não parecer tão "malandro" como tu dizes, "lima" é a designação da letra "L" em código e consequentemente a primeira letra de "Lagosta".......hehehehe. Bjinhos.
V.Chaby

Laura disse...

Victor e foi para lá que fomos, apenas acampar e não havia viva alma..só nós, maravilhosos, levamos água potável no jeep, ah, belos tempos...
Beijinho da laura e lembro sim a Muxima e a baía...eu morava lá em cima das barrocas, pertinho do Miramar...