Seguidores

sexta-feira, 2 de julho de 2010





Fui, antes de iniciar este texto, ver o que tinha escrito há um ano atrás. Espantei-me como o tempo voa. Já andava preocupada com a evolução do meu estado físico. No intervalo destes medos aconteceram tantas coisas boas! A principal é que sou avó de um" estrunfe" encantador. Depois o Vabenne, os meus filhos e os meus amigos continuam tão perto quanto um chamamento.

Vou abrir o jogo:
Abreviando pois quem visita este cantinho, já se deve ter apercebido, eu fui sujeita a uma operação muito grave. Foi-me removido um tumor inter-medular entre a C2 e a D3, que me transformou a medula, devido à compressão num fio de 1mm.

Na altura tudo indicava que ficaria para ou tretaplégica. Saí da operação totalmente ilesa e os 8 meses que os médicos diziam que eu iria precisar de fisioterapia para recomeçar a andar reduziu-se a 1 e ao fim de 4 meses da operação, já trabalhava, guiava, dançava, cuidava dos filhotes, geria uma casa e uma loja!!!

O caso deu brado ,tanto no meio médico, como em família, amigos e até numa cidade pequena onde se passa a palavra tão depressa.

Precisamente em Maio do ano passado (mês que fui operada há 17 anos) e após umas quedas violentas, por situações não criadas por descuido, comecei a sentir o meu estado físico a piorar e a locomoção passou a ser feita com a ajuda de bengala, depois andarilho e agora se a distância é maior, por cadeira de rodas.

Há duas situações que me magoam muito:
- tão bonita, tão nova e já assim! Pergunto - caraças só pode acontecer aos feios e velhos?
- esse seu sorriso,esse seu astral tão positivo são exemplo para tanta gente que a própria Ana nem conhece! Caraças não exijam isso de mim!



Quando me perguntam: como está? eu só sei responder - vou andando! E o significado que esta expressão tem para mim, pois não sei durante quanto mais tempo a poderei dizer. Só quem está ou avança para a dependência total é que consegue sentir o peso de palavras que parecem tão simples.

Perguntam-me: como é possível conviver, sair, rir, continuar a gostar da vida, trabalhar, vibrar com as coisas quando se tem pela frente, um futuro com esse "peso"?

Abri o jogo e o que leio: amor!!! Amor por uma vida vivida em pleno.

4 comentários:

Patti disse...

Óptima e difícil maneira de encarar as dores da vida, Bacouca. Mas ainda bem que é assim que opta por fazer. Dá-lhe mais força, mais esperança e revela uma grande vontade de viver a vida.
Tudo de bom, continue assim corajosa e não perca essa vontade tão forte. E que lhe saibam dar colo também. Os fortes também precisam dele :)))))

bacouca disse...

Patti,
Muito obrigado pela sua atenção. Na verdade nunca me tem faltado colo, pois como diz Lia Couto:"heroi foi aquele que se esqueceu de fugir"!!!.
Mas também sei que, se sou feliz é porque quero.
Beijo

GJ disse...

Bacouca, obrigada por ter partilhado as suas dores.Fez-me bem a sua força e alegria de viver. A família é sem dúvida o que melhor temos e essa força, se estiver alimentada, ninguém nos tira. As pernas ou as rodas são apenas um veículo para nos deslocarmos e transportar o nosso coração.
Beijo

bacouca disse...

GJ
Partilhei-a porque muitos também vivem as suas dores(...) e também por aqueles que não dão o real valor à vida. Como disse à Patti, a família e os amigos são um enorme suporte mas se não quizermos ser felizes e ter força nada nem ninguem nos consegue "empurrar"!
Felizmente que tive uns alicerces únicos e como dizia um actor que faleceu há pouco e do qual agora não me recordo o nome, a minha vida foi sempre vivida em pleno que me leva a dizer que nada perdi até hoje! E isso dá muita força!
Pudemos e devemos usar "truques". O último que li do Bob Marley diz: não me importo que me olhem da cabeça aos pés: a cabeça não me fazem e aos pés não me chegam!
Um grande beijo